Vidas Cruzadas [Parte 22]



Nessa noite mal consegui dormir, imagens do meu pai com outra mulher assombravam-me os pensamentos, e quando as conseguia retirar pensava na ultimas palavras do Marco: "- Catarina: Tenho de ir, ligas-me todos os dias?- Marco: Sempre que puder amor, não te esqueças de mim e que eu te amo muito, acima de tudo, pensa só nisso ok?" o que queria dizer isto? De manhã acordei bem cedo, aproveitei e tomei um banho, arranjei-me, olhei para o telemóvel e nem sinal do Marco, dirigi-me à tal pastelaria onde combinei um encontro com o meu pai, cheguei ele ainda não estava, pedi o meu pequeno almoço e comecei mesmo sem ele chegar, estava quase acabar quando ele apareceu.
- Carlos: Olá filha, vejo que chegas-te mais cedo. 
- Catarina: Sim aproveitei para tomar o pequeno almoço.
Ele aproveitou e pediu o seu pequeno almoço. Depois pagou e fez-me sinal para sair.
- Catarina: Onde vamos?
- Carlos: Vamos a minha casa, quero que conheças a minha casa e quero falar contigo.
Sem mais perguntas meti-me no seu carro e ele arrancou, a sua nova casa ainda ficava um pouco longe da minha, era uma casa pequena e um pouco degradada, ele disse-me para entrar para não ter medo, convidou-me a sentar num pequeno sofá.
- Carlos: Eu tive saudades tuas filhas.- Olhei-o com cara de poucos amigos, ele baixou o olhar e continuou a falar.- Filha o pai e a mãe estão melhor assim, e no outro dia eu juro que não queria bater-te mas estava muito nervoso, tu sabes o que és para mim.
- Catarina: Tu tornaste-te numa pessoa fria, diferente do pai que eu tive ate agora, há muito que não tens tempo para mim, gritas-me, tu não eras assim, eras um herói pai, porquê? Porque mudas-te tanto? Eu tenho saudades daquilo que eras, e daquilo que éramos juntos, uma família.
- Carlos: Mas o pai ama-te filha, e esta aqui sempre, eu fui despedido do meu trabalho, mas já arranjei outro, e logo que possa vou dar dinheiro à tua mãe, sei que também tens de viver.
De repente ouvimos um barulho, e a porta da sua casa abriu-se, era a mulher do outro dia.
- Carlos: Filha espera eu já venho.
Levantou-se e foi em direcção a ela, tentando que ela não entrasse e eu ouvi ele dizer-lhe em som baixo:
- Carlos: Tínhamos combinado que eu ia estar com a miúda e para não apareceres em casa, que te passou pela cabeça.
- Catarina: Pai.- Levantei-me e dirigi-me a ele.
- Carlos: Esta é a vizinha do pai, e veio aqui pedir um pouco de azeite para o almoço.
- Catarina: Pára com as mentiras, não vales nada, tu andas com ela, eu vi-te com ela, perto de onde vivíamos, esta explicada a tua mudança repentina, não precisas de dizer mais nada, olha eu vou fingir que não sei de nada, ate tenho vergonha do tipo de pessoa que te tornas-te, sou tua filha e não concordo com esta palhaçada, deixa entrar, eu já a vi, não tenhas problemas eu saiu.
Bati a porta da casa dele, e sai a correr, ele veio a traz de mim.
- Carlos: Espera. Eu apaixonei-me não tive culpa, eu sei que não aceitas isto, mas o pai esta aqui e quero ter noticias tuas. Eu levo-te a casa.
- Catarina: E irás ter, não posso deixar de ser tua filha por muito que queira, não escolhemos os pais, não eu vou de táxi.
Corri daquele lugar, e as lágrimas saltavam-me, como ele desceu tão baixo, juro que não entendo e não aceito isto nunca, meti-me num táxi e vim para casa, de onde nunca deveria ter saído. 


Continua

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